domingo, 9 de novembro de 2008

Purgatório - Viagem épica (Parte III)

Nota prévia:
"Se não leu isto e isto, o melhor é não ler o que se segue e esperar pela versão integral do texto, que será cá publicada. Para os que têm tido a enorme paciência para ler a odisseia de um (in) comum mortal pelo purgatório, aqui segue a 3ª parte.
Antes de prosseguir com a saga pelos caminhos sinuosos do purgatório, é necessário fazer um "reverse" e puxar a fita um pouco atrás.
Devido a um lamentável (mas compreensível) lapsus memoriae, omiti três dos mais inestimáveis imortais, pelo facto peço sentida desculpa aos causídicos:
Nostradamus - Foi um grande visionário no seu tempo e as suas premonições foram tão longe que Deus privou-o da felicidade eterna.

O futuro só a Deus pertence! como tal, Nostradamus foi um concorrente indesejável para o guardião dos Céus, daí que a sua alma tenha sido despachada para a purga contínua.
Leonardo Da Vinci - Era uma apreciador das formas e dos sólidos geométricos, cometeu a blasfémia de afirmar convictamente que a Terra era redonda.
Santificada ignorância! toda a gente sabe, que no Céu é tudo quadrado, além disso, foi Deus o grande criador da Terra, inicialmente deu-lhe a forma triangular, mas como não apreciou o resultado final, ficava a Terra com um aspecto meio bizarro, deu-lhe então, a definitiva forma quadrangular.
Galileu Galilei - Foi excomungado para o Inferno, posteriormente Deus reabilitou-lhe um pouco a alma e puxou-o para o purgatório.
Galileu teve a distinta ousadia para não dizer lata, de contrariar o conceito clássico do geocentrismo, teorizando algumas teses em abono do heliocentrismo.
Deus é que não embarcou nesta treta toda e instituiu o teocentrismo, como o único processo incontestável, à volta do qual (sua volta) todas as coisas giram.
Prosseguindo...
Ir ao purgatório e não visitar a sua praça central, é como ir a Roma e não ver o Papa.
A praça central é o verdadeiro ex-libris daquele lugar. Ao centro um majestoso monumento erigido em memória da alma do sanguinário Pol Pot, que foi um dos mais notáveis fornecedores de almas para o purgatório, só no seu tempo foram à volta de 25% da população do Cambodja.
O monumento é assim algo macabro (nada que seja muito estranho neste lugar), está emoldurado com milhões de caveiras das vitimas que sucumbiram às mãos de Pol Pot.
Num banco de jardim, deleitam-se na luxúria das carícias íntimas, o recém-chegado Jorg Haider com Richard Wagner. Antes de se enamorar por Wagner, Haider obteve o consentimento de Deus e do seu padrinho (A.Hitler).
O purgatório não é propriamente uma anarquia, mas encontrei Mao-Tsé-Tung, Enver Hoxha, Lenine e Fidel Castro a congeminar uma intentona para derrubar o regime capitalista do Céu e instalar lá um estado socialista.
Perguntam vocês, o Fidel porquê?
A explicação é simples, a alma de Fidel Castro já se desligou do corpo, na sua vida terrena, o camarada Castro, não passa de um mero zombie, sem alma!
A praça do purgatório é polvilhada de frondosas árvores, mesas de pic-nic, com relvados enormes e área reservada para os churrascos, tudo o que uma família de almas em agonia precisa, para passar bons momentos de distracção e lazer.
Mas?! Que vejo eu???!!!
O Camões e o Homero em amena cavaqueira, falam de literatura certamente...
O Marx e o Keynes argumentam questões de economia e soluções teorizantes, para a crise financeira terrena.
O Pitágoras e o Einstein trocam impressões sobre quântica celeste, impressionante!
O Dante e o Gil Vicente discutem, sobre qual é a peça mais original, se a "Divina Comédia" se o "Auto da Barca do purgatório".
O Churchil, o Mussolini, o Eisenhower e o De Gaulle, velhos amigos, estão entretidos a jogar à sueca, pelo meio, vão debatendo questões de política internacional.
Dirigi-me para a baixa do purgatório...
Continua...

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